Domingão é dia de futebol certo? Não! Aqui na terra do tio Sam é dia de baseball e lá vamos nós ao estádio dos Nationals, o clube de baseball de Washington DC.    
Lotado, como era de se esperar, com todo mundo vestido de vermelho e azul marinho, as cores oficiais. Impossível não se contaminar e claro que comprei meu boné escarlate.   

 Não entendo nada do jogo, bem complicado pra dizer a verdade. Um lança a bola, o outro tenta rebater, se for longe ele corre e sei lá, só se marca pontos quando tudo é feito na quarta base (!). Meu cunhado, americano da gema, tentou me explicar, mas continuo confusa… Loirices….

  
O visual é demais, nada de empurra empurra, palavrões ou confusão. Gritaria sim e aplausos tb! Além claro de várias dancinhas estranhas no meio do jogo. 

O que me chamou a atenção foi a quantidade de crianças pequenas, algumas bebês. Mais família impossível e violência zero. Enfim, um show de esporte como deve ser! 

   

 

Bebês e cerveja
 
 Eu gostei. É emocionante quando se marca pontos e todos aplaudem e gritam juntos. Aliás, os Nationals ganharam de virada dos Merlins de Miami. 

E eu, meio tonta, pelo calor de 35 graus e pela cerveja (sim, vc assiste ao jogo tomando choppe se quiser, mas na praia nem pensar!!!) estou feliz pelo meu mais novo time! Go Nats!!  

 

Comemorando a vitória
  
   
No meio do jogo, todos se levantam para ouvir essa canção ao vivo. Sempre patriotas!

   
 

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“Vem cá meu bem, que é bom lhe ver! O mundo anda tão complicado que hoje eu quero fazer, tudo por você…” Renato Russo

A Dança - Henri Matisse - 1909 - 1910
A Dança – Henri Matisse – 1909 – 1910
Pois é, complicado é pouco! Tenho o péssimo hábito de checar o celular quando acordo e assim meus dias começam com uma enxurrada de notícias, na maioria das vezes ruins. Sei por exemplo, que a vida no Brasil não está para peixe, mas apesar dos muitos amados que vivem por lá, esses problemas estão ficando cada dia mais distantes.

Esqueci o que é medo e a sensação de violência vai se tornando distante. Arrisco a dizer que se trata de um sentimento físico, parecido com uma dor de dente insuportável e constante que de repente parou de existir e você nem se lembra mais como era.

Caminho sozinha a noite, deixo o celular na mesa do restaurante enquanto vou me servir no balcão, esqueço de trancar a porta da frente de casa, assim como os vidros do carro estão sempre abertos. Tinha até me esquecido o quanto é bom dirigir no entardecer com o vento batendo no rosto…

O incrível é pegar o metrô, de relógio, aliança e corrente e ler o jornal do dia no Ipad, sem medo de ser feliz. Mas, metrô? Como assim? Isso me lembra o que tanto ouvi da boca de amigos e conhecidos de São Paulo, “ah, meus filhos já andaram de metrô em Londres e Nova Iorque, mas em São Paulo nem pensar….” Hmmm, parece que misturei alhos com bugalhos agora não? Mas será mesmo que a crescente violência e a ausência da classe média “alta” nos metrôs paulistanos são assuntos assim tão díspares?

Um dos segredos a que eu atribuo o conforto da vida social americana é o fato de aqui ser um verdadeiro “melting pot” ou um caldeirão de várias pessoas, raças, etnias e classes sociais vivendo de forma muito parecida.

A menina muçulmana coberta de véus toma uma coca-cola na praça de alimentação ao lado da amiga loira de shorts e piercing no umbigo. O  motorista do caminhão de mudança é casado com uma funcionária executiva do Capitólio e o veterinário romeno, marido da professora sueca, incrementa a renda da família trabalhando de barmen algumas noites da semana. Ah e claro, o chiquérrimo executivo divide o banco do metrô com o garoto negro do hip hop!

Enfim, tenho vivenciado e observado um novo jeito de vida em sociedade. Evidente que existem ricos, pobres, poderosos, latinos, pardos e negros, mas as diferenças não são tão escancaradas como no Brasil. São vários os fatores que contribuem para isso, e escrever nesse terreno árido exigiria muito mais do que tenho de conhecimentos sociológicos e intelectuais. Estou aqui, somente arriscando um palpite de observadora, principalmente nesse momento em que tantos esqueletos do retrocesso surgem todas as manhãs no meu feed do Facebook…

Não acredito em saídas fáceis para séculos de abismos sociais, culturais e econômicos.  Mas tenho um palpite: a melhora só virá quando se olhar para frente e às vezes temo que as soluções imediatistas que têm surgido à rodo, são na verdade um eterno caminhar para trás. (Lembrando que no Brasil se investe mais em presídios do que em escolas).

Não consigo vislumbrar um futuro positivo que não passe pela diminuição das diferenças, pela generosidade e pelo olhar para o próximo como um semelhante e não alguém além ou aquém da minha pessoa. Dica:  se você sonha com o primeiro mundo, risque a frase cafona “olha com quem está falando” do seu vocabulário. 😉

O que me inspirou hoje, veio também na enxurrada das notícias matinais. Mal tinha aberto os olhos quando assisti à leitura emocionante de um poema de Elizabeth Bishop, escritora americana que viveu no Rio de Janeiro entre as décadas de 50 e 60, casada com a arquiteta Maria Carlota de Macedo Soares, responsável pelo projeto e execução do Aterro do Flamengo.

O ano era 1964. Da varanda do seu apartamento no Flamengo, Bishop assistiu à execução de um bandido carioca pelos policiais. A tragédia rendeu um belíssimo poema, interpretado de forma emocionante por Jorge Pontual. O link está abaixo:

http://g1.globo.com/globo-news/globo-news-em-pauta/videos/t/todos-os-videos/v/jorge-pontual-traduz-texto-de-elizabeth-bishop/4403624/

Me fez pensar, estamos em 2015 e nada foi melhorado desde então. Talvez seja hora de rever as estratégias e ao contrário da brutalidade, tentarmos a cordialidade. Enxergar no outro um pouco de nós mesmos, ainda que nossas origens e histórias sejam infinitamente diferentes, pode ser um bom início!  Eu e minhas filhas temos colocado isso em prática frequentemente, e acreditem, é muito gratificante  se sentir fazendo parte de um todo, composto de pessoas totalmente diferentes de você.

Por que afinal, onde está o certo ou o errado? O que me faz melhor ou pior do que você? Estamos apenas dividindo o mesmo barco ao mesmo tempo, não? Que possamos nos dar as mão e fazer do mundo algo menos complicado e bom mesmo de se viver!

Explorando Northern Virgínia – Parte 1

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Primeiro um pouco de Geografia:

Estou morando em Virginia, um dos mais antigos e relevantes estados dentro da história dos Estados Unidos. Mais especificamente, estou em Northern Virginia, uma pequena porção do estado, que faz divisa com o Distrito de Colúmbia, onde fica a famosa “Capital do Império do século XXI”, ou a cidade das canetas mais poderosas do planeta, também conhecida como Washington D.C.

Por conta dessa proximidade imponente, NoVA, como é chamada essa região, tem uma renda per capita acima da média do país e também uma imensa diversidade cultural. Quase todas as embaixadas e consulados do mundo, além das gigantes e temidas instituições como CIA, FBI e Pentágono estão nos arredores.

A atmosfera política encontra companhia na tecnologia e em NoVA  desenvolveu-se na última década um polo informático conhecido hoje como o Silicon Valley da costa leste americana. Trata-se de Tysons Corner, uma região de empresas especializadas em todo tipo de tecnologia de informação. Tysons é uma espécie de bairro da cidade de Mclean, que foi a minha primeira parada.

E como foi morar em Mclean? Por estar em uma posição geográfica impecável, perto de Washington e abrangendo Tysons, Mclean é um dos subúrbios mais prestigiados e ricos da América. Lá se encontra o conhecido “old money” americano e é residência de grandes nomes da história política do país. Com o “boom” causado por Tysons, Mclean passou a abrigar também os “novos ricos” que acreditem, trabalham muito duro para manter o padrão, no melhor estilo Morumbi de ser. O termo em inglês “peer pressure” que designa a necessidade voraz de se manter as aparências e assim sentir-se aceito por um determinado grupo social é uma boa definição do espírito de Mclean. Vou além, acho que esse termo define um número cada vez maior de pessoas ao redor do mundo hoje, independente de serem mclenianas, paulistanas, californianas, asiáticas ou o que quer que seja….mas isso claro, rende outro post!

Para engrossar o caldo da grana, uma leva de magnatas árabes têm se instalado por lá e são esses os responsáveis por um mercado de casas e carros de luxo que eu nunca sonhei existir.  É comum você se ver parado em um tráfico de Ferraris, Bentleys e Rolls Royce, além de comitivas de Lincolns blindados.

Quem se interessar, a casa abaixo está a venda, por modestos U$29 milhões, é um exemplo das carinhosamente apelidadas Mcmansions! Dá pra se sentir um Gatsby contemporâneo 😉

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Não posso dizer que os mclenianos foram antipáticos ou pouco receptivos, pelo contrário!  Apenas ficou claro, desde o início, que nós não fazíamos parte daquele clube. Simples assim.

Depois de seis meses tivemos que nos mudar, e foi uma oportunidade para tentar uma nova cidade, mas antes de apresentá-la preciso voltar à Geografia. Diferente do Brasil, que é dividido em estados e municípios, os EUA dividem seus estados em condados. Cada condado agrupa um determinado número de municípios e esses seguem as mesmas leis e regras. Tanto Mclean, quanto Fairfax Old Town, que é onde moro agora, fazem parte do mesmo condado, que também se chama Fairfax. Ufa! Complicadinho não?

Como o próprio nome diz, estou na “capital” do condado de Fairfax. Aqui fica a prefeitura, o fórum e mais alguns aparelhos estaduais, além de vários edifícios históricos. A cidade em si, parece um cenário de conto de fadas. Com as calçadas de tijolinhos, casas antigas e muito bem preservadas e uma grande praça, com fontes coloridas que fazem a festa das crianças no verão.

Temos ainda uma bem equipada biblioteca pública e me encanta ver como os moradores  fazem uso constante dela. Só para citar um exemplo, as crianças foram fortemente incentivadas a lerem 15 (isso mesmo! 15! ) livros durante o verão, e devem cadastrar a sua leitura no site da biblioteca. Concluída a tarefa, a criança ganha um caderno de cupons, que dá direito à sorvetes grátis, doces, desconto em brinquedos, passeios, etc. Adorei a ideia!

Essa pequena cidade oferece uma variedade gastronômica impressionante. Thailandês, japonês, vietnamita, cubano, indiano, francês, italiano, grego, são só alguns dos restaurantes vizinhos que eu me lembro agora. Essa, entre outras, é a grande vantagem de morar em um lugar repleto de culturas diferentes. (Depois contarei sobre as aventuras de fazer compras em um gigante supermercado asiático, com corredores indianos, coreanos, chineses e japoneses e seus milhares de produtos, sabores e odores indecifráveis!)

O belo campus da George Mason University é um de meus vizinhos e seus mais de 30 mil estudantes circulam pela cidade. Outro fator que incrementa positivamente esse caldo cultural…

Resumindo, não é fácil se encontrar em um país diferente. Dificilmente você irá se reconhecer em alguma cidade, ou chamar essa de “a sua praia”. Para mim a beleza está nisso, em descobrir “praias” diferentes. Eu e minha família sempre gostamos de nos aventurar nas novidades. Mais ou menos aquela diferença básica entre escolher o conforto de um resort, com cama, comida e música conhecidas ou se aventurar em um carro alugado nas fronteiras da Bósnia! Sempre ficamos com a segunda opção e claro que muitas vezes, já pagamos caro por isso.

A aventura pode facilmente se transformar em roubada, mas apostamos nossas fichas no descobrimento e agora estamos aqui, escarafunchando a Virginia. Aprender, olhar e caminhar por esse mundo é o que me move, e para quem prefere o conforto, venha aqui espiar meu blog e viver comigo essa andança, dá para se aventurar sem se machucar e eu adoro compartilhar!

O verão por aqui foi cheio de novidades e mudanças e apesar de já estar batendo pernas há dois meses, não conheci nem metade do que a cidade tem pra oferecer.  Tenho um mundo de coisas para falar sobre a região e voltarei ao assunto em breve….seguimos! 😉

Vem chegando o…outono!

Estou já há sete meses longe da minha terra brasilis, mas arrisco dizer que foram tantas descobertas que a experiência parece pesar mais que sete anos, quase sete vidas, aliás!

Primeiro foi o frio, que pareceu ornar seus dias curtos e cinzentos com todo o pânico das novidades e de todo o funcionamento de uma vida inédita para se aprender. As noites foram encurtando e chegaram as maravilhosas cores da primavera. Um pouquinho de conforto, misturado ao encantamento gerado por todas as possibilidades que se abriram, assim como as mais incríveis e diversas flores. O tempo esquentou, se iluminou e a vida pareceu finalmente se encaixar no trilho.

Agora, com o verão já chegando ao fim, abre-se espaço para um balanço mental:  as férias estão terminando, as visitas já cessaram e a rotina começa mais uma vez a se rearranjar. Começou a doer! Bateu uma enorme saudades de uma vida inteira que ficou para trás e não voltará mais, a não ser em fragmentos de memórias e milhares de fotografias que hoje são mais corriqueiras e acessíveis do que o oxigênio.

Me disseram: olhe para frente e não para trás. Estou tentando, juro!   Me agarrar a uma possibilidade de futuro confortável é a minha tábua de salvação,  afinal se não temos o futuro idealizado  sorridente à nossa frente a vida perde todo o sentido.

O difícil está em não olhar para trás, em  esquecer os recortes do Instagram que teimam em deixar indeléveis um passado glorioso e  perceber a cada dia que voltar não será mais possível. Aquele lugar mágico, ficou congelado na minha memória e já não existe mais.

Ser imigrante em um país com um nível de civilidade infinitamente maior que o seu lugar de origem provoca uma imensa delicia, acompanhada de uma profunda dor. Fica impossível se imaginar vivendo novamente na selva do salve-se quem puder, do jeitinho, da aparência supérflua do ter e da mediocridade cultural. Não quero mais. Não conseguiria mais.

Por outro lado, cadê o conforto de estar em casa, compartilhar piadas internas que só brasileiros serão capazes de entender, sentir cheiro de churrasco familiar e café com amizade? A civilidade do primeiro mundo cobra um preço e esse é a ausência de tudo isso.

Viver é escolha! Escolhi estar aqui e agora e só me resta olhar pra frente. O outono se aproxima e espero que assim como as folhas  encontram a sua maturidade em um infinito de amarelos e laranjas, eu possa encontrar a maturidade emocional de abraçar por inteiro a minha escolha, e lidar com a saudade de um jeito menos dolorido! Que venha a nova estação….

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Explosão de cores do pôr-do-sol nas águas do Potomac – National Harbor – D.C.

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