Meu amor por você… São Paulo!

Ah São Paulo….cidade onde passei 39 anos da minha vida. Cresci em um bairro tradicional e histórico: Ipiranga. Lá encontrei as amigas que são para sempre, apesar de não nos vermos há algum tempo já.

Infância na rua, brincando com meus primos e enlouquecendo as freiras do colégio que eu estudava. Não tinha muita ideia da imensidão da cidade, porque meu mundo se resumia às padarias do Ipiranga, onde adorava ir com meu pai, tomar café da manhã e esperar o frango de televisão ficar pronto para o almoço.

Só aos 17 anos entendi essa cidade. Entrei na faculdade, do lado oposto, extremo da zona oeste! Cruzava todos os dias, do Ipiranga ao Butantã de transporte coletivo: ônibus e metro. Quanta gente diferente, quantas coisas no percurso de duas horas. Aprendia tanto, ou mais do que na sala de aula…

O tempo passou e tanta água rolou por debaixo das pontes do rio Pinheiros e Tietê.

Brooklin, Higienópolis, Consolação, Jardins, Vila Mariana, Pinheiros, Santo Amaro, Lapa, Perdizes, Morumbi, Sé, Aclimação, Vila Prudente, Vila Madalena, Barra Funda…. um bocado de bairros se somaram ao meu repertório. Cada um sendo quase um universo particular.

Problemas, assaltos, descaso. Comecei a odiar e reclamar, muito! Achei que eu e São Paulo estávamos quites. Chega! Vou me embora, não para Passárgada, mas pra Washington DC mesmo.

Já fazem 3 anos e nem em DC estou mais. Agora vivo no Acre americano, Seattle, um canto no extremo noroeste americano, mas que pretende ser e agir como uma cidade cosmopolita, cheia de tecnologia e modernidade, mas um pouco carente da diversidade e da energia que faz da Pauliceia algo tão único!

Nem em Nova Iorque é possível encontrar essa magnitude urbana – desculpa aí Douglas 😉

Penso que não sou do Brasil, sou de São Paulo. Essa terra do concreto e da feiura, que carrega uma mistura explosiva de todos os cantos, carregada de brasilidade. Eu sei, é confuso mesmo.

Não tinha ideia do quanto já era familiarizada com a cultura japonesa, goiana, italiana, mineira, espanhola, alemã, baiana, recifense, curitibana, catarinense, haitiana, francesa, manauense, árabe, judaica…  Nos limites dessa cidade cabe o mundo!  Obrigada São Paulo, por me preparar. E ah, São Paulo, como te odeio. Porque você me deixou mal- acostumada e em nenhum canto do mundo encontrarei o que você me proporcionou.

Saudades do seu caos, minha amada terra! Foi preciso perder-te para ver o quanto é gigante e generosa.

Quem sabe, um dia, não nos encontramos novamente?

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Fechamento de um ciclo 

Coincidência? No dia que começa o outono, transição entre as minhas duas estações favoritas (Summer-Fall) eu finalizo um ciclo. Foram três anos vivendo na Virginia, três anos em que aprendi mais do que 40! 

Deixar meu país, minha família e amigos e um terreno conhecido e seguro, ainda que complicado, para recomeçar tudo de novo em outro idioma, outro clima, outras paragens foi um grande desafio. 

A dor que senti ao ver minha casa querida, desmontada e cheia de caixas esperando pelo caminhão, será para sempre um marco na minha vida.  Aquela Gabriela, a Gabi da Granja (por eu morar na Granja Viana em São Paulo e ser conhecida assim por alguns amigos) morreu. 

Não me reconheço mais naquela vida que tinha, nos pensamentos e opiniões que cultivava, nos valores que eu acreditava.

Mudar de país implica em uma mudança profunda, que afeta o nosso âmago. Muito mais que cortar o cabelo ou até trocar de marido! Abala as nossas estruturas e nos faz pensar de uma forma diferente de tudo que aprendemos em uma vida inteira. 

A Virginia me ensinou isso. Cheguei aqui no inverno e nunca tive uma recepção calorosa, nem por parte do clima, nem por parte do povo. Meu primeiro inverno se resumiu a dias de infinita solidão, onde só conversava com minhas filhas. Medo de sair, medo de falar, medo de explorar. A primeira primavera chegou e tudo começou lentamente a florescer (que metáfora mais clichê, eu sei!). Vi um dos maiores espetáculos da minha vida, que são as cerejeiras em flor em Washington DC e jamais esquecerei o encantamento que tive ao andar embaixo daquele teto de flores.

Finalmente a temperatura esquentou e me surpreendi com a linda baía de Chesapeake. Seus caranguejos gigantes, por do sol inesquecível e os deliciosos vinhos brancos. O calor chegou até a sufocar, até a mim, que sou amante das altas temperaturas.

Com isso a chegada do outono trouxe uma surpresa agradável, dias ainda mais lindos e milhões de folhas trocando de cor. Sinto muito Brasil, mas esse espetáculo você não consegue fornecer aos teus.

O outono no hemisfério norte é pura magia! Nunca pensei que houvessem tantos tipos de maçãs, cenouras e abóboras. Tantas feiras, festivais e comidas maravilhosas…

E assim foi meu primeiro ano, de encantamento, saudades e surpresas. Outros ciclos vieram e tudo já não era novidade. Conheci pessoas, descobri costumes e lugares e vi que conseguiria  sim, viver muito bem longe do meu Brasil.

A Virginia me ensinou a ser forte, me mostrou que amigos verdadeiros e constantes são realmente muito poucos, quase únicos. Me ensinou a eu ser a minha própria companhia, nos cafés, exposições de arte e outros tantos eventos  que estive sempre sozinha. Me ensinou que um sorriso e uma gentileza nem sempre são sinais de amizade, e que a formalidade estará acima de qualquer coisa, mesmo entre brasileiros.

O lugar é lindo, as estações são encantadoras mas não há aquele calor dos afetos que eu sempre estive acostumada a ter. A mais valiosa das lições que recebi foi que aprendi a viver sem isso e aprendi a entender que tudo bem pessoas serem assim. Nascemos sozinhos e assim morremos. 

Hoje passei o dia quase todo sozinha. Em uma casa já vazia, observando o vai e vem das caixas no caminhão. Muito tempo de reflexão, nesse pórtico maravilhoso, acompanhada apenas dos passarinhos e da marmota simpática que vive no meu jardim. 

Meus vizinhos me surpreenderam com uma dose de carinho e cuidado que não tive nem no Brasil. Uma amiga mais que querida, e muito muito especial veio me levar pra almoçar. Ela sabe quem é e eu serei eternamente grata ao seu carinho….

Mais uma lição da Virginia, não importa a quantidade e sim a qualidade! E isso eu tive de sobra de poucos bons amigos.

E assim eu me despeço como o Verão….deixando o Outono entrar e trazer a renovação de minha própria paisagem, agora em outras paradas. Seattle here I go…. 

Obrigada Virginia! 

Que venham as flores….

Já chegou a Primavera por aqui e essa será a minha terceira desde que deixei o Brasil. Engraçado, tenho 41 anos e só passei a apreciar e esperar pela Primavera desde que vim para cá. Claro que o inverno longo e monocromático, é um dos grandes responsáveis por isso, mas não quero atribuir essa espera somente ao frio do norte.

Eu mudei. Não só de endereço e país, mas mudei algo dentro de mim. Não me atrevo a dizer que foi para melhor, porque isso seria ser simplista demais. Nunca gostei de resumir as coisas entre isso ou aquilo.

Fiquei mais reflexiva e com isso perdi um pouco da leveza. Explico: no conforto da minha terra e da minha língua era muito mais fácil ser comunicativa. Podia falar o que pensava, usar as referências todas da minha infância, as piadas internas da minha geração, que todo mundo saberia o que eu estava querendo dizer.

Aqui tudo passa por um filtro. Primeiro o da língua…como traduzir meus pensamentos e ideias em inglês? Depois o comportamental e social, qual será a reação, saberão entender o que estou falando? E finalmente o da relevância, pois já que tudo tem que ser pensado e mastigado, sempre penso se vale a pena tal esforço e muitas vezes opto simplesmente por me calar.

Conseguem perceber como pode ser exaustivo? Claro que isso muda algo dentro de você. E não é só isso…

Viver imersa em outras culturas e valores me fez me questionar o tempo inteiro quais são os meus verdadeiros valores. O que me move? O que  é importante para mim?

No Brasil gostava de comprar sapatos. Ok, sei que é um exemplo frívolo mas serve bem para ilustrar. Ter um sapato novo em um almoço com as amigas, ou em um compromisso de trabalho era sempre um motivo a mais para uma conversa, mesmo que fosse das mais fúteis: uau! Que sapato bacana!

Aqui eu experimento a sensação de ser transparente. São tantas pessoas, de tão diferentes lugares e com tão diversas bagagens, que você se torna apenas mais um. Todos parecem que olham através de você. Me sinto uma parede de vidro, que ninguém  nota, quanto mais olha para os meus sapatos.

Saindo dos sapatos e partindo para algo muito mais substancioso como a vida, percebo que de onde vim (São Paulo) há uma pressão constante pelo “parecer”. A lista é infinita, vai desde ter o carro mais sofisticado ao comportamento descolado de só usar bike e carregar uma sacola reciclável.

Estamos sempre querendo pertencer, seja ao grupo da escola, do trabalho ou dos amigos. A sociedade que nos molda, parece exigir isso de nós. Quando somos recolocados em um meio desconhecido ao nosso e ao qual, definitivamente NÃO pertencemos, experimentamos uma liberdade gigante de finalmente ser o que quisermos.

Isso é bom. E muda muito nossos conceitos. Não é privilégio de um país de primeiro mundo. Novamente vamos fugir da tentação de banalizar as coisas. Trata-se apenas de uma das vantagens de ser estrangeiro.

Digo isso porque noto os mesmos comportamentos equivocados de tentar pertencer, que eu via e fazia em S. Paulo, dentro de pessoas que nasceram aqui, ou foram criadas aqui nos Estados Unidos.

Isso é tão curioso percebem? Conseguimos ser mais livre e mais autênticos dentro de grupos que desconhecemos, mesmo que a gente se sinta extremamente desconfortável, com a língua, com os hábitos, com a cultura…

A intimidade cobra um preço alto: o de sempre representar o papel que esperam que a gente faça. Imagine aquela festa de família, que te deu mais trabalho para escolher o que vestir do que qualquer outro evento, afinal o que sua tia e seus primos iriam pensar….

Dito isso, vou para um outro ponto. Viver fora NÃO nos faz melhores. Leio e escuto infinitos depoimentos de ex-patriados e em todos há sempre aquela pitada de arrogância: “ah, como hoje eu sei muito mais do que aqueles que ficaram na mesma”.

Eu também caí nessa armadilha. Mas o deslumbramento se esvai depois de três anos (no meu caso) e começa a se formar uma ideia mais realista: Eu não melhorei, eu não evoluí. Eu apenas fui exposta a novas experiências que transformaram meu modo de pensar e confesso, a Gabriela de antes me faz uma falta imensa.

É difícil lidar com a ausência de nós mesmos, com aquilo que fomos e acreditamos um dia e hoje não mais. Dói se sentir um peixe fora d’água em grupo de antigos amigos e parentes, onde nada daquilo, nem mesmo as piadinhas de sempre, parecem fazer sentido.

Como tudo, a realidade não é plana, é cheia de curvas, subidas e descidas e determinar as coisas entre branco e preto é um engano lamentável que estamos sempre cometendo.

A vida é cíclica, como as estações. Muitas vezes é preciso paciência para esperar o tempo certo das coisas. E assim volto à primavera e a metáfora do que ela representa: renovação.

Viver aqui, nesses dois anos iniciais foi como atravessar um inverno rigoroso, com surpresas desagradáveis e um frio que não passava, causado pelo desconforto da solidão e a saudades de tudo que me era familiar. Estou finalmente pronta pra podar meus galhos e deixar a Primavera entrar de novo em minha vida, anunciando uma nova fase.

Terei que abrir mão de muita coisa (mais ainda do que já tive), mas tudo com a esperança de me ver renovada e cheia de cores novas. Viver, pode ser sim, uma delícia! A gente só precisa ter coragem para jogar fora o que não serve mais e abrir o peito e o coração para uma nova estação.

Que venham as flores… 😉

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A experiência de ser turista na minha terra – 20 dias de Brasil

Então, eu fiz um carnaval em um outro post quando disse que iria ao Brasil não foi mesmo? Estou me sentindo em dívida para quem me lê e quer saber como foi essa experiência de ser turista na própria terra. Vamos lá?

O primeiro choque é o conforto de ouvir, falar e pensar em português o tempo todo. Foi uma espécie de alívio, como quando a cabeça para de doer depois de dias de um incômodo. Se traduzir o tempo todo é um dos grandes desafios de quem vive fora da terra de origem. Mesmo aqueles ultra super fluentes, com o inglês no automático, sabem que o conforto de se expressar na sua própria língua faz uma grande diferença.

Se sentir abraçado e sentir querido também cativa o coração. Mas algumas gotinhas de dor pingam nessa atmosfera. Você percebe que nem todos sentiram sua falta como você as deles e alguns com quem você tanto contava e ansiava em ver, simplesmente ignoram a sua visita, afogado que estão nas suas vidas cotidianas. Pode ser um pouco chato, mas é a primeira e grande lição: a vida continuou…. Você mudou de casa, de país, de emprego e de amigos, quase um tsunami na própria vida e acaba se esquecendo de que todo mundo que ficou continuou com a mesma rotina de sempre. Fica difícil para aqueles que ficaram dimensionar e avaliar a importância de um abraço. Eu entendo e supero, juro!

Outros, ao contrário, nos surpreendem com o carinho sincero e a receptividade. E aí até machuca mais, afinal como voltar e viver longe de pessoas tão especiais? (aqui faço uma pausa pra engolir um soluço).

As comparações são inevitáveis. Moro na Virgínia, ao lado da capital norte-americana. Ruas e bairros impecáveis, equipamentos e serviços públicos primorosos, melhores escolas do país, altíssima renda per capita, blá, blá, blá…. São Paulo me dá um soco com o seu oposto: ruas ainda mais sujas e abandonadas do que me lembrava, violência explosiva, sensação constante de insegurança, estilo de vida caríssimo e incompatível com a realidade da maioria. Miséria e carro blindado, o tempo todo, todo o tempo.

Foi difícil essa parte. Confesso que pensei, não quero viver mais aqui não. O ar pesado de poluição e uma gigantesca diferença social. R$700,00 reais um jantar em um lugar comum, muita gente, mas MUITA, dormindo sobre jornais na Av. Paulista  (!). Difícil lidar e encarar.

Mas aí vem o almoço elaborado no capricho pelas amigas, o mar verde e delicioso em pleno inverno, o cheiro de pão da padaria e a coxinha estalando na boca. Complicou! Uma montanha russa de emoções. Pertenço mas não pertenço, entende.

Esse é o sentimento de um expatriado. Cadê meu lugar, aqui ou lá, ou os dois? Já aprendi a gostar dos EUA, da organização, do respeito e da beleza dos lugares por onde passo. Só que meu coração não vibra, ele se aquieta. É diferente.

No Brasil eu odeio e amo intensamente o tempo todo, meio exaustivo, mas muito vivo.

Não tenho respostas…. por enquanto vou tocando meu barco aqui focando na frente, absorvendo todas as experiências e oportunidades que essa terra proporciona e tentando não olhar para trás. Continuo fiel ao meu ideal de não ser árvore e poder me deslocar por esse mundo todo de olhos e peitos abertos. Mas faço um adendo, apesar de não ser árvore, tenho raízes e essas serão eternamente verde e amarelas!

 

 

A hora de visitar a terrinha – confusão de sentimentos!

Hoje finalmente recebi meu ticket de viagem ao Brasil. Serão 20 dias de férias por lá, depois de quase dois anos longe. Fica difícil descrever a confusão de sentimentos.

Estou muito feliz, por poder rever as pessoas que marcaram a minha vida e sempre serão meu norte. Mas devo confessar que bate um arrepio na alma….o que se passou enquanto eu estive fora, o quanto eu mudei? O quanto tantos mudaram?

A vida de um expatriado é como uma montanha russa. Apesar do clichê, ainda não encontrei definição melhor: uma constante de altos e baixos.  Novas descobertas, novos cheiros, novos sabores e novos amigos e ao mesmo tempo a certeza irrefutável de que tudo que deixamos para trás não voltará jamais!  Não tem como não ser dolorido e delicioso ao mesmo tempo.

Rever o Brasil, minha terra adorada e dourada, depois de quase dois longos anos, causa sim um tremendo frio na barriga.

Nesse tempo que me ausentei, pessoas se amotinaram por suas crenças políticas, guerra travada entre dois símbolos sagrados aos brazucas: a mortadela e a coxinha!   Em comum, pelo menos para quem vê de fora, uma vontade feroz de ver as coisas melhorarem.

Nada  melhorou por enquanto, e o sol poente ainda parece distante da terra brasilis, mas algumas coisas permanecem, como esse calor inconfundível que só se vê por aí….

Ai, meu Brasil, que saudade de você! Saudade de me sentir verdadeiramente abraçada, saudades de ouvir a melodia linda da língua de Camões, saudades de ouvir Chico Buarque ( sim, eu o amo apesar de tudo e contra todos!), saudades do desejo e da saliva na boca de quem espera por uma caipirinha de maracujá com cachaça na areia quente da praia….

São tantas coisas que fazem falta, que acredite você – que sonha com os outlets da Flórida –  nada será capaz de substituí-las!

Acontece que a vida anda, o dia toma o lugar da noite e a primavera dá lugar ao verão! Descobrimos, a duras penas, que não somos árvores e sim seres adaptáveis às condições que nos cercam.

Hoje, gosto de ver bandeiras vermelhas e azuis, pontuadas de estrelas, balançando ao ritmo dos ventos. Gosto de  ouvir Hotel Califórnia, na voz de um cantor anônimo no bar, tanto quanto ouvia Djavan nos bares da vida da Vila Madalena. Aprendi a degustar o sabor de um verdadeiro hamburger e me emociona ver crianças de todas as raças, cores e credos jurarem fidelidade à bandeira de Abraham Lincoln, todos os dias na escola pela manhã.

Enfim e por fim, não existem respostas óbvias ou caminhos claros. A vida é passagem e como dizia meu amado Guimarães Rosa, estamos todos à margem desse grande rio.

Vou fazer minhas malas e rever meus amados, mas agora com um outro sentimento: não mais pertenço ao Brasil, nem tampouco aos EUA! Sou apenas uma terráquea tentando fazer dos limões da vida uma grande limonada! Seguimos….

 

 

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Meu momento trevoso, capturado pelas lentes insensíveis do meu marido! A vida não é só beleza e sorrisos photoshopados galera 😉

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atirando para se defender? Brasil e EUA – diferenças…

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Casa Branca – Washington DC

 

Pela milésima vez estive em frente à Casa Branca nesse final de semana. Morando em Washington DC, é impossível não levar parentes e amigos que chegam aqui pela primeira vez para conhecerem a “Casa do Obama”(por enquanto).

Não reclamo, eu gosto! A Casa Branca fica em um lugar lindo e agradável para caminhadas, além de ser ao lado de uma das galerias de arte mais charmosas da cidade, Renwick Gallery. Para mim é sempre um bom programa.

Contudo, quando estive lá não consegui parar de pensar em um fato recentemente acontecido e pouco mencionado na mídia. Em maio desse ano, um homem aproximou-se do edifício com uma arma em punho. Sem questionamentos, policiais à paisana dispararam e atingiram o indivíduo, que foi levado em estado crítico ao hospital, mas sobreviveu.

Esse lugar bonito, bem cuidado e aparentemente simpático e cheio de turistas é sem dúvidas um dos pontos de maior tensão do planeta. O policiamento é ostensivo e não se engane, além dos vários policiais uniformizados visíveis, existem outros tantos disfarçados de cidadãos comuns sempre prontos para a ação.

Moro nesse país há pouco mais de um ano, portanto não me sinto confortável para discutir ou questionar seus métodos. Na minha visão pacifista, me pareceu uma reação exagerada, mas de novo, não sou apta para julgar!

Essa semana, quando ainda lidávamos com o absurdo do estupro coletivo no RJ, fomos atropelados pela notícia do menino de 11 anos baleado por um policial em São Paulo.

As discussões acaloradas e cheias de opinião logo tomaram conta do Facebook e vi com tristeza todos discutindo as consequências de mais um trágico acontecimento: os que acham que fez bem a polícia em matar e os que enxergam o fato como uma execução sumária de uma criança de 11 anos. Ao invés de pontes, as pessoas constroem trincheiras através das certezas de suas opiniões.

Pouco se falou sobre as causas e a falência de uma sociedade como um todo que esse caso representa: crianças de 10 e 11 anos, armadas, assaltando na calada da noite, dirigindo carros roubados por São Paulo…

Sim, eu me sinto responsável! Eu falhei como cidadã brasileira e acho que falhamos todos. Não é um problema da periferia, não é um problema de caráter, é um problema social, do qual somos todos igualmente culpados.

Em países de primeiro mundo, até pipocam casos de violência infantil, mas na maioria das vezes ligados a problemas de psicopatias. Casos isolados de transtorno mental. Infelizmente no Brasil é uma epidemia, mais cruel que o vírus da Zika.

Enquanto os intelectualizados discutem fervorosamente no Facebook, tecendo críticas ferozes (e justas) à nossa vergonhosa classe política, uma massa de invisíveis cresce nas periferias.

Me lembro que em 2013 dirigi pelas ruas de Carapicuíba, periferia de São Paulo. Era época de férias escolares e fiquei estarrecida com a quantidade de crianças nas ruas. Sem pais, crianças muito pequenas brincavam perigosamente em telhados das construções precárias, na beira do lago poluído. Sem escola, crianças muito pequenas não sabiam dos perigos que as estavam rondando. Sem atividades, crianças muito pequenas, ficam zanzando a toa pelas ruas de um dos municípios mais violentos do Brasil. Não eram 10 ou 20, mas centenas! Não me esqueço da sensação de tristeza ao olhar para os morros e ver um mar infinito de barracos e crianças por toda parte.

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Crianças nas vielas de Carapicuíba – São Paulo

Cheguei em casa e covardemente encarei  as minhas filhas, achando que o que me cabia era dar o máximo de mim para educá-las para um fim melhor. Não me engajei em nenhuma ONG, não voluntariei nas favelas, não participei de nenhum projeto social, apenas reforcei minha atenção para as minhas crias e para as crianças de conhecidos próximos.

Fui egoísta, cuidei somente do meu jardim e achei que votar  para governos melhores e investir pesado na educação das minhas filhas era o que de máximo me cabia fazer. Que tola!

A vida ensina, e foi aqui, no país mais capitalista do mundo que aprendi a importância da coletividade. Os jardins públicos e gramados das ruas em geral, são muitas vezes mais cuidados que os jardins particulares.

Pode ser uma metáfora boba, mas que mostra o que faz um país ser chamado de primeiro mundo: o coletivo vem em primeiro lugar! Nas escolas públicas o voluntariado por parte dos pais é quase que uma regra e não exceção. As crianças se engajam em campanhas de ajuda aos menos favorecidos: são inúmeros os eventos promovidos para esse fim. A diversidade cultural e social, coloca no mesmo banco de escola filhos de congressistas e de imigrantes latinos. Todos limpam a cafeteria depois da refeição e aprendem massivamente a importância de respeitar e honrar o país.

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Crianças nos jardins de uma escola pública em Northern Virgínia 

 

Ter uma experiência em voluntariado no seu currículo é tão importante quanto uma graduação e desde a escola elementar as crianças são estimuladas a isso.

Isso é mérito do governo? NÃO! Isso é mérito de uma sociedade participativa.

As pessoas trocam facilmente o seu tempo de folga para limpar a escola e a rua do bairro, ao invés de passar o dia cuidando da própria casa. Dividem igualmente seu tempo à manutenção do bairro, a atividades escolares e aos assuntos pessoais. É implícito o conhecimento de que se o todo não vai bem, a sua vida pessoal também estará afetada.

Claro que a perfeição passa longe e o fato acontecido na Casa Branca ilustra o quanto estamos longe de uma sociedade equililbrada. Tanto nos EUA, quanto no Brasil pessoas foram sumariamente baleadas quando se mostraram uma ameaça.

Mas existem diferenças gritantes em ambas situações. Um homem armado em frente à residência oficial do presidente dos EUA, lugar que reúne diariamente centenas de turistas do mundo todo. Trata-se de um país que está em guerra declarada há anos contra o terrorismo internacional e vive sob constante ameaça de ataques. Policiais à paisana atiraram, mas não mataram, em uma “provável” ameaça terrorista.

Já o Brasil é outro país latino que parece ter sucumbido à violência cotidiana: a ameaça veio por parte de um menino de onze anos, que usava uma arma e tinha cometido um assalto ao lado do amigo de dez anos. Foi atingido mortalmente.

Devido a nossa omissão social assistimos inertes a  um país falindo nos escombros da violência e da falta de perspectiva. É mais do que urgente que a sociedade brasileira dedique atenção e cuidado à tudo que rege a vida pública. Quando lutamos somente pela nossa vida privada e pelos nossos interesses pessoais, o país perde como um todo e a bala que atingiu uma criança de 11 anos, na verdade atingiu a todos nós!

Conheço felizmente algumas vozes nessa imensidão que se propuseram à ação. Deixarei abaixo os links aos interessados e uma pergunta aos meus conterrâneos: o que VOCÊ está fazendo a respeito? Acredite, regar apenas o seu jardim não será suficiente. O Brasil clama urgentemente por uma sociedade mais participativa, mais engajada em questões relacionadas à cidadania. Pode parecer pouco, mas o trabalho que você realiza coletivamente dentro do seu próprio condomínio já é um exercício eficaz na construção de comunidades melhores.

Projeto Aquarela  – Projeto comunitário que trabalha com crianças em situação de risco na região de Campo Limpo em  São Paulo. Necessita urgentemente de voluntários!

Projeto Mundo Irmão – Projeto comunitário que atua em duas frentes: estímulo à construção da cidadania através da leitura de livros infantis e ajuda financeira a diversas instituições de caridade proveniente da comercialização dos livros

Band Voluntário – Organização que surgiu no Colégio Bandeirantes em São Paulo e atua na divulgação de várias ONGS engajadas em trabalhos de melhorias sociais, além de outras atividades

Instituto Brasil Solidário – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, voltada à valorização dos ser humano, oferecendo-lhe oportunidades por meio da educação. Atua em todo o Brasil com inúmeros projetos sociais, culturais, educacionais e de saúde. Lindíssimo trabalho que tive a oportunidade de conhecer.

São apenas algumas opções que conheço pessoalmente, mas para quem se interessar, basta um google e certamente você encontrará oportunidades de trabalho para a construção de um Brasil melhor!

 

 

 

 

 

Surpresas positivas e negativas depois de um ano de América

Já passou um ano que me mudei com a minha família de São Paulo para a região de Washington D.C. Depois de passar pelo ciclo completo das quatro estações chegou a hora de um balanço. Como foram muitas descobertas,  esse post vai em itens  que descrevem alguns dos preconceitos comuns que muitos têm em relação aos EUA e a confirmação ou negação dos mesmos. Vamos lá…

  • A cultura americana é pobre, rasa e de consumo imediato.

Mentira! Sempre achei que nada poderia superar a cultura brasileira em termos de diversidade, riqueza e criatividade. Pois bem, me surpreendi! Os EUA é um dos ambientes mais criativos que eu conheci. Devido ao grande número de imigrantes que aqui chegam diariamente, o caldo cultural supera o brasileiro. Música, teatro, cinema, literatura, artes visuais, etc. têm produções intensas e constantes, surgindo assim coisas maravilhosas e outras péssimas, mas em termos de volume é admirável!

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Exposição “Wonder” Na Renwick Gallery em DC. Um dos milhares de centros culturais que existe só aqui na Costa Leste.
  • Come-se mal nos EUA. Tudo é fast food e de baixa qualidade.

Mentira! Pelo menos em regiões com grande diversidade migratória a culinária é riquíssima.  Em cada esquina é possível encontrar restaurantes de todas as origens e preços possíveis. Se quiser cozinhar em casa então, a quantidade de opções e variedades de produtos chega a ser assustadora. Mesmo há um ano aqui, continuo passando horas dentro dos supermercados, perdida entre tantas possibilidades de escolhas, cheiros e sabores. Encontro mais variedade de queijos e vinhos do que já vi na Espanha e na França. Mais variedades de massas do que na Itália. Mais variedade e modos de preparo de sushis do que em S. Paulo, enfim…uma aventura constante de variedades gastronômicas. Fora a quantidade de supermercados e produtos orgânicos, com uma preocupação que chega a ser excessiva com o “comer saudável”. Apenas uma ressalva, comer bem por aqui significa gastar muito mais. A alimentação de qualidade não é barata e nem tampouco acessível a todos.

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Loja especializada em vinhos. Parece um supermercado gigante, mas só com vinhos de todos os tipos, preços e nacionalidades.
  •  Americanos em geral são sedentários 

Mais ou menos! Mais um aspecto que talvez varie de região a região mas aqui na costa leste todo mundo se mexe. No inverno ou no verão é constante o número de pessoas caminhando pelas ruas, pedalando, correndo e se exercitando. Nas escolas o programa de educação física é intenso e as crianças praticam muitas atividades, inclusive nos finais de semana. Vários esportes que nunca ouvi falar são muito populares e também  o nosso “futebol” é super praticado. Ainda assim grande parte da população  apresenta sobrepeso, devido ao consumo excessivo de gorduras e carboidratos. Felizmente esse mal hábito está mudando, mas ainda faz parte da vida de muita gente por aqui.

  • Americanos são egocêntricos e nada sabem além da América

Mentira! Ao longo desse ano não encontrei ninguém que não soubesse do Brasil. Quase todos que conheci ou cruzei por aqui estão muito bem informados sobre o que acontece no nosso país e em todos os continentes. Muitas vezes quem se mostrou desinformada e ignorante fui eu, principalmente no que diz respeito aos povos e costumes do Oriente Médio e da Ásia, que pouco fazem parte da realidade brasileira.

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Biblioteca do Congresso Nacional, uma das mais belas que já vi. Aqui existem bibliotecas públicas  quase a cada esquina e são altamente freqüentadas. O povo americano tem intrínseco o hábito da leitura e informação.
  • Americanos são racistas e preconceituosos

Mentira! O que mais me surpreende por aqui é a quantidade de imigrantes bem sucedidos. A América realmente cumpre o papel de abrigar povos e sonhos do mundo inteiro e criar oportunidades reais de sucesso. Gente de todos os cantos do planeta conseguem trabalho e qualidade de vida. Se fosse um país tão xenofóbico como pintam, isso não seria possível. Lembrando que pensamentos nazistas e retrógrados como o do Sr. Donald Trump são rejeitados pela grande maioria dos norte-americanos que reconhecem a força e a contribuição dos imigrantes nesse país.

  • História e cultura vc encontra na Europa! EUA é só entretenimento e compras

Mentira! Os EUA  preservam demais a sua história e cultura. Em quase todas as cidades americanas vc encontra uma opção imensa de monumentos históricos, museus, bibliotecas e tudo o mais para conhecer e se aprofundar na história do país. As casas centenárias são preservadas com muito primor, e claro, não se pode esquecer que os EUA é um país  jovem como o Brasil, se o compararmos à Europa. Eu pessoalmente, não sou fã do entretenimento fácil da Disney, e passei um ano aqui me surpreendendo com inúmeras atrações culturais e históricas sem pisar na terra do Mickey. 😉

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Mount Vernon, casa onde viveu George Washington no século XVIII. Um dos exemplos de primor de preservação do patrimônio histórico
  • São poucas as opções de beleza natural nos EUA.

Mentira! Com certeza essa foi a maior das surpresas. Já havia visitado os EUA como turista inúmeras vezes, mas morando na costa leste tive a oportunidade de conhecer lugares magníficos. Paisagens marítimas e pôr do sol cinematográficos na Chesapeakbay, montanhas cobertas de folhas douradas em Shenandoah, vinícolas deslumbrantes em Loundon County, cidades históricas à beira do Potomac, cavernas surpreendentes em Luray, etc., etc. A lista é imensa e olha que estou me referindo somente à região que cerca DC. Poderia ainda falar das belezas de Massachusets, Rhode Island, Connecticut, e tantos lugares que tive o privilégio de visitar, mas isso é assunto para outro post.

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O espetáculo do outono

 

Como nem tudo são flores, seguem algumas decepções que também fazem parte dessa trajetória:

  • Sistema de Saúde americano é excelente

Mentira! Não existe saúde pública, nem de péssima qualidade. Se você não tem como pagar está bem encrencado e pior não há o que fazer. Convênio de saúde é essencial, como água! Não é possível viver sem isso nesse país. A má notícia é que isso custa caro, e muito. Além do preço dos planos serem elevados, o paciente sempre paga uma co-participação em tudo, das consultas, aos exames e cirurgias e esse valor pode ser bem assustador. A relação médico-paciente é fria. Tudo se conversa por email e as consultas são super concisas, nada de papear e saber além do necessário. Deu uma dor de barriga, enxaqueca ou febre no final de semana? Se não for algo absolutamente grave, segure a onda e espere até marcar uma consulta, porque atendimentos emergenciais podem custar uma fortuna. Nunca pensei que diria isso, mas até o capenga SUS do Brasil consegue ser melhor do que o nada que é a saúde pública americana.

  • Custo de vida é baratíssimo

Mentira! De todos os comentários desagradáveis que ouço de amigos e parentes brasileiros, esse é o mais irritante: “você está muito bem, ganha em dólar!” A ignorância está em cada palavra dessa frase. Ganha-se em dólar sim e paga-se em dólar tb! E caro, muito caro! Moradia na região de DC é tão cara quanto no Leblon do Rio de Janeiro. Alugueis de uma casa boa com três dormitórios giram em torno de U$3.500,00 podendo chegar aos U$5.000,oo com facilidade. Não se compra uma casa razoável, em um bairro com boas escolas públicas por menos de U$900mil e casas acima de U$1 milhão são a grande maioria. Alimentação de qualidade é caríssima, tanto quanto no Pão de Açúcar ou no Saint Marché (mercados caros de S.Paulo). Você encontra tudo que imagina e de excelente qualidade, mas com preços exorbitantes também. Ok, sei que os fanáticos por outlets (outra roubada) devem estar discordando. Eletrodomésticos, carros, roupas de grifes e cosméticos são mais baratos que no Brasil, mas morando aqui esse não é seu gasto essencial e acreditem, gasta-se tanto com saúde, moradia e alimentação que sobra muito pouco para as pechinchas de uma bolsa de grife a U$100,00!

  • Os EUA é o país da diversão

Mentira! Quem conhece os EUA pelo grande número de parques temáticos, shows da Broadway, filmes de Hollywood pode ter a impressão de que é um país em constante festa e diversão! Sinto dizer que não. Aqui se trabalha mais do que no Brasil (o custo de vida é caro, lembra?) e americanos em geral tem uma maneira muito diferente de se divertir. Mesmo as atividades de lazer costumam seguir um roteiro e regras pré-estabelecidas. Espontaneidade é uma qualidade rara por aqui. Um hobby por exemplo, feito para se relaxar e sair da rotina é sempre algo levado extremamente à sério, com cobranças, metas e a necessidade de buscar a perfeição em tudo. Olhando os rankings mundiais de esportes, de descobertas científicas e tecnológicas, de artes, etc. é comum ver muitas vezes os EUA nos primeiros lugares. Consigo entender isso hoje, observando o profundo espírito de competição e a busca por excelência em absolutamente tudo! Para nós, brasileiros, pode ser exaustivo. A máxima de “deixa a vida me levar, vida leva eu” não existe aqui. Até a diversão tem que ter objetivos bem definidos, com horário sempre marcados….costumo dizer que no Brasil o almoço acaba quando acaba a conversa. Aqui a conversa é literalmente interrompida no meio, se acabou o horário. Deu pra entender?

  • É fácil fazer amigos

Mentira! Americanos são muito bem educados. Todos te cumprimentam, seguram a porta para você passar e oferecem ajuda ao menor sinal de problemas. Bom dia, boa tarde e como vai são as expressões mais ouvidas, sempre e em todos os lugares. Porém, não confunda educação e simpatia com amizade. Raramente passa disso. Os grupos são muito fechados e a intimidade é o valor mais precioso para eles. Festas e encontros são raros, e quando acontecem são sempre cheios de formalidades. Imagino o tamanho da dificuldade em se morar em um estado norte americano onde existem poucos estrangeiros…. Fiz com facilidade muitas amigas brasileiras, algumas européias, latinas e asiáticas, mas americanas o saldo por enquanto é zero.  Mesmo entre eles, amizades onde se visitam constantemente, fazem viagens juntos e trocam confidências são muito raras. Trata-se de outra forma de se relacionar e para nós, cheios de calor brasileiro, esse é um dos desafios mais difíceis de encarar. O que salva, são os amigos da terrinha e também de outras nacionalidades que encontramos por aqui.

  • Não existe violência

A violência no Brasil atingiu um dos maiores patamares mundiais e fica difícil de se comparar, mas aqui, apesar de números muito menores, a violência existe sim!Não sofremos de medos de assaltos ou sequestros, nem violência decorrente de tráfico de drogas e desigualdade social, mas os terríveis “mass shootings” são uma triste realidade. Nas escolas públicas as crianças são submetidas à simulações preventivas de incêndio e massacres! Confesso que fiquei apavorada, mas a prevenção é algo levado muito a sério por aqui e os números são alarmantes. Esse é outro tópico que poderia se alongar muito e falo sobre ele aqui, somente para afirmar, que infelizmente os EUA não estão isentos da violência.

Ok….e o saldo de tudo isso? Diria que por enquanto estamos vivendo um empate técnico. Ganhamos muito e perdemos também, um ano ainda é pouco para sedimentar impressões. Sei que muito está por vir, para o bem e para o mal, afinal a vida é feita de luminosos verões e escuros invernos, não tem jeito! Comparar Brasil e EUA é um erro, que pode levar a um estado profundo de desânimo.  O Brasil é único e os EUA também. Tentar afastar-se de preconceitos pode ser o começo de um caminho para o final feliz, nessa difícil transição.

Vamos que vamos e Feliz 2016!!!