Casamento – o maior de todos os desafios!

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O que nos diferencia como humanos de todos os outros seres vivos do planeta? A convivência e os afetos…

Desde bebês amar é o verbo mais utilizado. Amamos nossas mães, amamos o colo e conforto do peito. Crescemos e vamos nos conectando, com irmãos, amigos, colegas e vizinhos. Alguns permanecem, outros vão se embora pela vida.

Nesse oceano de rostos e personalidades terá sempre uma que baterá mais forte e com essa decidimos nos casar. A paixão, os sonhos de uma vida em comum pela frente, os arrepios e desejos, tudo isso faz parte do caldo inicial. Achamos que não poderemos mais viver sem aquela pessoa e decidimos nos unir em matrimônio (oficial ou não).

Começam os desafios, as dificuldades. Dividir cozinha, banheiro e dinheiro não é para qualquer um… De repente chegam filhos e tudo vira outra coisa. Não é mais um casal, mas sim uma família. Um micro-organismo vivo, com regras e funcionamentos próprios, que compartilham ideias, gostos e sonhos.

Claro que existem divergências profundas, cada um vêm de um background diferente. Aquele charme do início, “ai que fofo, ele ama filmes de terror”, vira rapidinho uma implicância e uma irritação.

Tudo pode ser motivo para briga e discórdia, mas quando o encontro é de almas, isso fica pequeno.

Por que falo tudo isso? Porque hoje, dia do meu aniversário, comemoro 20 anos de casamento. Não com a mesma pessoa, porque no decorrer desses anos todos nos modificamos bastante. Estou longe daquela menina insegura que entrou na igreja em 1996…

Mas a vontade de ficar junto, a parceria, a amizade são maiores. Claro que a viagem nem sempre foi tranquila e enfrentamos muitas águas turbulentas. Mas o segredo, se é que existe um é esse: nos amamos  exatamente pelo que somos.

Podemos passar horas em silêncio um ao lado do outro, sem a necessidade de palavras. Cultivamos e investimos em prazeres em comum, brigamos e ficamos de mal, mas nunca mais do que por uma noite. Sentimos saudades e toleramos a cara feia e amassada de manhã. Te amo, parabéns pelos 20 parceiro!

É possível encontrar isso, não existe só em filmes e contos de fadas.  Pego carona na dica de  Vinícius de Moraes, que casou dezenas de vezes e conhecia o assunto como ninguém! Fica aqui a contribuição do poetinha:

“É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não
Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração”

Vinícius de Moraes – Samba de Benção

 

 

 

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Passei dos 40, e agora?

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A vida nos brinda com um oceano de possibilidades

31 de dezembro, ao redor do mundo pessoas começam seus rituais, dos mais variados tipos, todos se preparando para a virada do ano, o recomeçar. Nessa energia gigantesca que envolve o planeta, planos são escritos, sonhos são compartilhados e promessas são feitas. Janeiro começa e muito disso tudo vai parar esquecido em algum canto da vida.

Eu já gosto de direcionar minha energia para o meu ano novo particular. Tudo começa no dia 11 de julho, véspera do meu aniversário. Fico nostálgica, pensativa e normalmente olhando para trás, para descobrir o que deu certo e o que precisa ser modificado.

Assim como quase todo mundo, esqueço dos meus planos e promessas e acabo deixando tudo para depois, no decorrer dos dias que se seguem.

Mas agora é diferente, são quarenta e um anos que batem à minha porta. Isso mesmo, 40 + 1 ! Já cruzei a linha dos enta e com certeza só sairei dela agora para uma viagem desconhecida.

Essa sensação de finitude começa a pesar e me dou conta de que meu tempo está diminuindo e contando contra mim.

Não dá para se auto-enganar: a pele já não é mais a mesma, linhas e vincos ao redor dos olhos e mechas brancas se multiplicando na cabeça. O fôlego acaba mais rápido e foi-se embora a flexibilidade de pular um muro ou subir em uma árvore.

Mas a mudança mais significativa não está na embalagem, está na alma. A vista piora, mas parece que enxergo melhor. Coisas que tinham grande importância parecem bobagens ao passo que miudezas do cotidiano ganham uma enorme dimensão. Claro que dá vontade de parar o tempo e congelar, evitando o inevitável. Bobagens até passaram pela minha cabeça, como a vontade de ser mãe de novo (!), até eu perceber que não queria mais um filho, queria meus trinta de volta.

Não dá para ser hipócrita e mergulhar nesses chavões tão cafonas de hoje em dia, como os “40 são os novos 20” , “4.1”e bla’bláblá.

40 não é 30. Acorda! Nada funciona mais como nos trinta, algumas coisas pioram e muito! Mas a graça da vida é essa porque muita coisa melhora também. Cada ano, cada fase tem seu encanto. O medo vai diminuindo e a vontade de nos agradarmos em primeiro lugar vai se tornando o mais importante. Passamos a nos conhecer melhor e a nos respeitarmos mais.

Quem nasceu em meados dos anos 70 e início dos anos 80 sabe bem do que estou falando. Passamos por uma transformação assustadora. Do telefone com extensão para os celulares. Da enciclopédia Barsa para a internet. Dos caderninhos de enquete e agendas-diário para o Facebook…. Assistimos de camarote ao mundo mudando e as relações também. Tudo isso agrega à nossa bagagem e as gerações mais novas, dos vinte e poucos anos não saberão o que era ter hora para ligar para a melhor amiga, ou nunca mais ter notícias do amor de verão.

Esse é o lado bom, ser testemunha das transformações do tempo e da evolução da vida. Ter histórias para contar, lembranças para visitar e ainda tempo para cultivar novos sonhos.

A vida é agora e cada minuto conta. Não dá para deixar nada para depois, nem mesmo aquela mensagem que ficamos adiando eternamente  em mandar – essa é pra vc amiga 😉  . Eu por exemplo, estava acomodada em um oceano de ostracismo. Casa arrumada, filhas e marido, um emprego meia-boca que me ocupava, situação econômica estabelecida e mais nada de muito significativo. Não tive coragem de sacudir e jogar tudo para o alto, mas a vida foi generosa e me virou de ponta cabeça.

Mudei de país, mudei de casa, aprendi uma nova língua, fiz amigos totalmente novos e diferentes e estou batalhando em um projeto profissional que acredito muito. Claro que doeu, claro que dá saudades, claro que morro de medo e dor de barriga às vezes, mas mais do que isso, sinto que estou preenchendo o caderno da minha vida com cores e significados. Mesmo que algumas páginas sejam cinzas de doer….

Já plantei a árvore, já tive as filhas e agora estou escrevendo o livro… vida que segue e que bom ter 41! QUARENTA E UM, e não essa breguice tosca de 4.1, por favor.

Viva!