A vida é tão rara….

Eu ando cansada…. Cansada do frio que mal começou, cansada dos dias curtos que terminam às 4h30 da tarde, cansada do meu feed de notícias que só me traz desilusão, enfim, não estou vivendo meus melhores dias.

Já li um bocado sobre a depressão de inverno, bastante comum em pessoas “tropicais”que vivem no hemisfério norte. O antídoto é sempre o mesmo: atividades ao ar livre, alimentação saudável, pensamentos positivos. Parece tão fácil, mas não é.

Fica difícil ter coragem de caminhar sob a garoa constante e o frio de 0 grau, impossível trocar o chocolate quente pelo suco de couve e o mais complicado: pensar em coisas boas quando você acorda e vê que um avião com vários jovens atletas, cheios de esperança e alegria caiu nas florestas da Colombia.

O mundo anda árido e 2016 foi um ano bem complicado. Depois de 2015, com o terrível incidente da Samarco em MG, processo político decadente do Brasil e do planeta, a crise de refugiados, etc. cheguei a achar que nada de pior poderia vir a acontecer nessa maltratada atualidade. Mas 2016 chegou querendo destaque: atentados terroristas, mais e mais decadência política, morte de pessoas essenciais e Donald Trump. Agora essa tragédia aérea envolvendo os meninos de Chapecó….

Eu sei, está difícil. Mas continuo acreditando que a vida é escolha. Em meio ao caos, precisamos focar nosso olhar em direção àquilo que nos alenta. Parece uma bobagem, mas às vezes a felicidade vem em gotas homeopáticas.

Uma fotografia bonita, uma mensagem carinhosa e inesperada, um salto amoroso do cachorro de estimação, uma chamada de vídeo no Facetime, um estranho gentil que segura a porta e sorri pra você…. São nessas miudezas da vida que a gente se alimenta e encontra forças para seguir em frente

A vida não para, não espera e é rara, como já diz aquela música linda do Lenine que eu deixo aqui  para vocês.

 

Acho que precisamos todos de um esforço coletivo, retornando ao mundo paciência e esperança, porque só assim conseguiremos sair dessa nuvem cinza para transformar positivamente esse mundão, que apesar de todas as suas dores é maravilhoso. Estamos todos juntos nesse barco que não para nunca e cabe somente a nós que seu percurso seja feito sobre águas calmas.

 

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O dia depois de amanhã e o início da era Trump

Meu café que me acompanha agora está amargo, assim como meus pensamentos. Não é fácil acordar depois de uma tremenda ressaca emocional, onde eu vi vencer o racismo, o machismo e a misoginia. Mas é preciso erguer a cabeça e ver a figura inteira: como chegamos até aqui e para onde iremos depois?

Donald Trump venceu democraticamente e legitimamente, por pouco menos da metade dos votos. O sistema eleitoral americano, que é completamente diferente do brasileiro, o elegeu através da maioria ganha nos colégios eleitorais. Isso indica que os EUA está dividido, rachado ao meio entre dois pensamentos completamente diferentes.

Essa mesma polarização aconteceu na Inglaterra, na Itália, em Israel e no Brasil, entre tantos outros lugares… Trata-se de um fenômeno atual e global. Não existe mais meio termo, pessoas estão se amotinando atrás de suas crenças, deixando nenhum espaço para a conciliação.

No primeiro dia após o resultado da eleição, esse efeito devastador já pôde ser observado em atitudes execráveis ao longo do país. Alunos de uma High School da Pensilvânia marcharam durante o refeitório e gritando: construa o muro!  Eles carregavam placas do Trump, enquanto outros alunos latinos, asiáticos e imigrantes em geral ficaram acuados de cabeça baixa.

A filha de 8 anos de um conhecido meu, eleitor de Trump, foi para a escola pública em Maryland e foi questionada por sua professora em quem seus pais votaram. Quando a resposta foi Trump a professora começou a gritar com a menina, sendo apoiada por outra professora. Pais que estavam no corredor tiveram que entrar na sala para acalmar os ânimos.

Vários fatos, tristes como esses, já começaram a acontecer no primeiro dia da era Trump e podem ser facilmente encontrados na internet. Milhares já se programam para protestar contra o novo presidente e milhares já se preparam para defendê-lo. O clima é tenso, hostil e infelizmente não vai melhorar….

Passei boa parte da noite pensando e lendo tudo o que podia para tentar encontrar respostas. Cheguei a algumas conclusões, ainda muito cruas, que queria dividir aqui.

Graças à internet e sobretudo ao Mark Zuckerberg o mundo mudou! Todas as nossas relações mudaram completamente mas continuamos a ser educados a pensarmos em moldes que não fazem o menor sentido hoje. Felizmente, agora um número infinitamente maior de pessoas ao redor do mundo tem acesso à informação. Basta um clique de qualquer celular e você estará assistindo ao vivo pessoas falando de Bangladesh, se você quiser.

O problema – grave –  é que com a democratização massiva da informação, podemos filtrar aquilo que nos alimenta. Dificilmente perderemos nossos minutos de navegação diária para lermos a respeito daquilo que não aceitamos. Um exemplo prático para qualquer brasileiro: eleitores da Dilma e do PT jamais usarão como fonte de informação o blogue do Reinaldo de Azevedo. Da mesma forma que seguidores do Rodrigo Constantino jamais lerão os textos de Jean Willis.

E assim vamos nos aprisionando em uma bolha perigosa, que só reforça nossas convicções e nos faz acreditar em certezas distorcidas da realidade. O ódio vem na sequência e tudo que é diferente daquilo que eu acredito passa a ser visto como abjeto e desprezível.

É um perigo! Eu mesma caí nessa bolha, quando me opus veemente à reeleição de Dilma no Brasil. Fui rasa, fui parcial e me alimentava só de informações que me diziam o que eu acreditava. Foi através da dor de viver em outra língua e ser obrigada a conviver em uma realidade muito diferente  que me fez ver o quanto a gente cresce na diversidade e o quanto nossos pontos de vista podem ser estreitos.

Nesse momento, por mais que seja difícil,  é preciso pensar: Será que a metade dos eleitores americanos, que são pró Trump, estão totalmente desprovidos de suas razões? O maior exercício de humanidade é colocar-se na pele do outro e cada vez menos fazemos isso.

Não sou imparcial e tenho  também minhas próprias convicções, seguem algumas:

  • não sou religiosa e critico racionalmente a fé cristã (já perdi amigos por isso L )
  • defendo o aborto e o direito de escolha das mulheres (apesar de nunca cogitar em fazê-lo, sendo essa a minha escolha)
  • aplaudo a diversidade e o casamento homossexual, assim como a liberdade sexual de qualquer pessoa
  • sou a favor da democracia e ainda que ela traga resultados amargos, como os dessa eleição, ela é o sistema mais justo criado pelo homem
  • sou absolutamente contra qualquer arma de fogo e defendo a restrição absoluta das mesmas

Poderia continuar essa lista infinitamente e nem assim estaria falando verdades mas apenas expondo o meu ponto de vista! Percebem a diferença entre opinar e catequizar?

Respeito e estou completamente aberta à discussão de argumentos contrários a qualquer um dos itens que escrevi acima, mas infelizmente sei que muitos, depois dessas minhas afirmações, passarão a me ignorar solenemente.

Eu sigo firme na minha maior defesa: ter liberdade para fazer minhas escolhas ideológicas, pessoais e políticas, sem cercear e agredir os diferentes e nem permitir que me agridam.

Parece utópico demais pensar que um dia esse consenso irá existir, mas o contrário disso está apenas nos arrastando para as trevas que o mundo assiste hoje.

Permita-se ler e se informar em fontes diferentes das que te agradam, aproveitando o privilégio de ter acesso a toda e qualquer informação.  Você pode se surpreender positivamente! Isso ontem aconteceu comigo, quando um crítico ferrenho à campanha da Hillary Clinton me apontou motivos incontestáveis para a vitória de Trump.

É preciso sair da bolha, é preciso ouvir o outro, é possível darmos as mãos e pensarmos na construção de um mundo menos cruel. Precisamos mais do que nunca de pontes ao invés de muros….

Vamos todos tomar um trago de esperança?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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