Pessoas

Tentando organizar a bagunça demilhares de fotos no meu computador, me deparei com as imagens que ilustramesse texto.

São pessoas. Pessoas presentesnos meus arquivos de fotos, pessoas que um dia foram tão íntimas a ponto deestarem no meu arquivo de fotos! Pessoas que hoje se tornaram estranhas,distantes e quase desconhecidas. Algumas, sequer me lembro quem são.

A vida é engraçada. É a metáforaperfeita de uma estrada, pela qual caminhamos desde quando nascemos.

Essa estrada possui curvas,ladeiras, abismos e desvios. Por ela, atravessamos tempestades, ondas de calor,gelo e neve e algumas vezes uma brisa suave e doce aparece para afagar nossoscabelos…

Aprendemos com as dificuldades.Muitas vezes, as pernas doem, os pés quase sangram e maldizemos a estrada.Imploramos para que fique suave, para que surjam atalhos. Outras vezes, oterreno se torna tão paradisíaco, que esquecemos o quão árido já foi um dia.

Não há possibilidade de retornos. Até tentamos! Damos alguns passos para trás de quando em vez, mas a vida – ops, a estrada – torna a nos empurrar para frente. Infelizmente alguns desistem, interrompem o caminho muito antes dele terminar. Outros insistem em manipular o tempo. Não aceitam que passe e tentam a todo custo, remover as marcas do envelhecimento. Uma minoria ainda, quer acelerá-lo, antecipando problemas e preocupações. Quanta bobagem! A verdade é que não temos controle. O tempo se vai, independente de nossas vontades.

Há até aqueles que resolvemparar. Abandonam-se na estrada, em estado de paralisia, sem andarem para frenteou para trás. Não é opção, sinto lhes dizer, a própria vida irá empurrá-los.

Descobrimos sabores, cheiros etexturas. Algumas esquinas, nos fazem rever nossos conceitos, nos mudam decabeça para baixo. Outras dão saudades, saudades de quando não éramos o quesomos agora.

Mas os grandes influenciadoresdessa estrada, não são os acidentes geográficos, a temperatura ou a paisagem.São as pessoas. São essas da foto, que agora, parecem figurinhas…

São rostos que podem virarhistórias dentro da nossa biografia, ou apenas vagas lembranças. São almas quenos contaminam, influenciam e às vezes, têm até o poder de mudar nossoscaminhos. Por trilhas mais fáceis – ou não.

Alguns desses rostos escolhemos,outros nos são impostos. Amamos, gostamos, detestamos. Mas é inegável queaprendemos. Por mais mínimo que tenha sido seu papel, em algum momento, fizeramparte de nossa estrada.

Meu caminho me levou para longede grande parte dessas pessoas. Certamente, alguns eu não irei rever novamente.Outros me acompanharão, independente da distância. Com cada um aprendi, mesmoque algumas lições tenham sido doloridas.

No final, colocando todos assim, em perspectiva, no mesmo recorte de uma fotografia ¾, vejo que não há melhores ou piores. Bonitos ou feios, ricos ou pobres. São apenas figurinhas, poeiras de estrelas que um dia brilharam nas galáxias, segundo várias linhas filosóficas.

Grãos infinitamente minúsculonessa imensidão universal. Mas, porém, contudo, todavia, tiveram, em algummomento, impacto na minha vida. Isso os faz gigantes e me leva a conclusão, deque os encontros pessoais são os fatos que verdadeiramente impactam a nossavida.

Que eu possa adicionar mais figurinhas na minha estrada….

E como diria o gênio Guimarães Rosa:

O mais importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, mas que elas vão sempre mudando.

Seguimos.

PS.: Há muito mais rostinhos no meu arquivo, mas a tecnologia exigiu que muitos ficassem de fora, porém continuarão arquivados! 😉

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