De Charlie Brown à Cebolinha – qual a sua infância?

Acabei de sair do cinema, onde passei quase duas horas me divertindo com o filme Peanuts, ou Charlie Brown, como era conhecido na minha infância.

Quem já chegou aos quarenta sabe do que estou falando: no começo dos anos 80 uma febre invadiu São Paulo, não sei se se estendeu pelo Brasil inteiro, mas o cachorrinho Snoopy era o item mais cobiçado entre as crianças da minha época. Eu mesma sonhava com um, mas tive que me contentar em ter uma versão fajuta, já que a original era caríssima para os padrões da minha família.

Mas só hoje, vivendo há quase um ano nesse país, pude entender Charlie Brown e seus amigos. Confesso que fiquei intrigada e confusa, pois se trata de um produto tão característico da cultura americana, que não entendo como fez tamanho sucesso na terra brasilis.

Não há exageros em Charlie Brown! A escola que se vê no filme é exatamente uma Elementary School, assim como a casa, o bairro, os dias de neve, as brincadeiras na rua, a biblioteca, o bulling, as premiações escolares…tudo! Minha filha disse: as cadeiras são idênticas às da minha classe. Poderia até ser um documentário.

Por isso a paixão americana pelo Snoopy. É um retrato vivo da infância norte-americana. A vida das crianças aqui gira em torno da escola, do bairro, das ruas. São espaços democráticos, onde uma mistura interessante de classes sociais, culturas e raças acontece.

Como já falei outras vezes, o menino rico que chega à escola de BMW usa roupas parecidas com o menino pobre de origem hispânica que vem a pé cuidando dos irmãos menores. Todos na mesma sala, se encontrando na mesma biblioteca, no mesmo parque e brincando juntos em um dia de neve na rua.

A escola pública proporciona isso. Os espaços públicos proporcionam isso.

Infelizmente a minha infância foi carente de tais espaços. Era longe de ser rica, mas estudei em escola particular e apesar de morar perto de uma imensa favela paulistana, nunca tive um amigo de lá. Assim como também nunca tive um amigo muito mais rico que eu.

No Brasil vivemos em prateleiras. Podemos nos mover um degrau ou dois, mas nunca além disso, estamos sempre cercados por iguais. Os espaços públicos de uma grande cidade como São Paulo segregam mais do que agregam. No jeito de vestir, falar, frequentar você já atesta a sua origem e com certeza se sente absolutamente desconfortável se estiver em lugares muito distantes da sua classe social. Para cima ou para baixo, não importa.

Tanto Charlie Brown quanto a Turma da Mônica, que eu lia compulsivamente, povoaram a minha imaginação infantil. Confesso que bateu uma invejinha, porque o americano se reconhece na vida de Charlie Brown. Agora para uma criança brasileira (rica ou pobre)  o bairro do Limoeiro, arborizado, com praças e ruas, onde o Cascão, o Cebolinha, a Magali e a Mônica brincam, aprontam e caminham, sem perigos ou muros, é uma enorme obra de ficção. Um espaço tão distante da realidade que só poderia existir em quadrinhos.

Nos anos 80 já não era assim. Nos anos 2000, geração das minhas filhas, a liberdade então se encolheu ainda mais, se encerrando dentro dos muros do condomínio, dos exércitos de babás vestidas de branco, das cancelas dos clubes, dos corredores de shoppings (credo!). Por ser otimista, gosto de pensar que talvez exista em algum cantinho do Brasil uma cidade com o bairro do Limoeiro, com casas confortáveis para todo mundo, crianças caminhado até a padaria, correndo nas ruas, deitando nos gramados. Pena que cada vez que  vejo notícias do meu país, minha esperança morre um pouco, com escolas sendo fechadas, pessoas sendo baleadas, cidades sendo engolidas pela lama da irresponsabilidade.

Tristes trópicos, Charlie Brown! 😦

Sobre tudo um pouco

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House and Trees (Maison et arbres) 1890-1894 Oil on canvas 25 5/8 x 31 7/8 in. (65.2 x 81 cm) The Barnes Foundation, Merion, Pennsylvania

Depois de um pequeno hiato, me deu vontade de escrever. Apesar de poucas semanas de pausa, muitas coisas aconteceram, sensação de que se passaram meses. Aliás, a vida fora do Brasil parece acontecer em outro tempo e espaço e tudo fica mais intenso, inclusive o passar do tempo. Provavelmente  porque aqui, nos EUA, temos que desempenhar inúmeros papéis. Ou como se diz: wear many hats! Não é fácil….

Tivemos uma ameaça de furacão! Sim, um furacão de proporções destruidoras como o famoso Katrina. Justiça seja feita, dessa vez o nome dado foi masculino: Joaquin. Ele não chegou a se aproximar perigosamente da costa leste americana, mas o suficiente para provocar uma interminável semana de chuva e dias feios. Quase emboloramos! Longos dias dentro de casa, com o cinza entrando pela janela….depois de um verão luminoso, foi um triste início de outono.

No meio desse cinza deprê mais uma notícia aterrorizante: um atirador mata 9 pessoas em uma faculdade no estado de Oregon. Chorei.

Impossível não me abalar e não me sentir afetada por isso. Um dos principais motivos que me fez embarcar nessa jornada foi a fuga da violência paulistana e a esperança em criar minhas filhas em um lugar mais seguro. Pois bem, não há tranquilidade nesse mundo.

Alguns amigos, mais esclarecidos que eu, dizem que esse tipo de psicopatia violenta é resultado da louca vida contemporânea, da pressão consumista, da falta de sentido real da vida. Nas palavras do próprio atirado de Oregon (o qual me recuso a nomear para não contribuir com seus minutos de fama nessa doença chamada sociedade do espetáculo!) ele afirma:

“The material world is a lie. Most people will spend hours standing in front of stores just to buy a new Iphone … I used to be like that, always concerned about what clothes I had, rather than whether or not I was happy. But not anymore.”

[O mundo material é uma mentira. A maioria das pessoas vai gastar horas esperando na frente das lojas só pra comprar um novo Iphone … Eu era assim, sempre preocupado com as roupas que eu tinha, em vez de se eu era feliz ou não. Mas agora não mais.]

Não sei se podemos culpar o peso do consumo e da aparência por atrocidades como essa. Culpo mais a sociedade americana, que insiste em armar seus cidadão até os dentes, e em um momento de loucura, ou mesmo tédio, uma alma infeliz tem nas mãos o que precisa para fazer uma grande m….

Enfim, essa discussão vai longe e não quero me ater a ela. O homem é bicho do homem, desde que o mundo é mundo! Motivos e justificativas para atrocidades estão sempre a disposição, quando me parece que o mais simples é: somos seres factíveis, com mais erros do que acertos. Por pouco, muito pouco, guerras, barbáries, mortes, torturas e toda sorte de violência contra o próprio homem são cometidas. Basta olhar para a história e ver que desde sempre o homem persegue o homem! Sem dó ou piedade, baseado apenas em suas ideologias, religiões, fé, ganância, poder, etc. etc. Infelizmente é uma lista infinita de motivos. Isso tudo antes da existência do Iphone….que fique claro!

Ao contrário do sentimento generalizado de desolação, tenho a teimosia em achar que estamos  evoluindo. Apesar dos meninos boiando no Mediterrâneo, apesar dos “gun shooters” norte-americanos, apesar da crise política do Brasil, apesar do caos sangrento do Oriente Médio, apesar da xenofobia europeia e da miséria africana. Sim, gosto de história, e afirmo: a humanidade já viveu dias piores.

Hoje estou aqui, sentada em frente ao meu blog, questionando, pensando e escrevendo livremente sobre isso. Posso até sair nas ruas da Virgínia, lugar onde fica a temível NRA ( National Riffle Association -responsável pelo maior lobby armamentista do planeta) com cartazes gritando pelo desarmamento e ninguém irá me prender por isso.

Estamos lentamente em evolução. Minhas filhas tem uma educação infinitamente mais sofisticada do que a que eu tive um dia. Todos tem o mundo ao alcance dos dedos. Campanhas humanitárias em prol dos refugiados pipocam em todos os cantos, o brasileiro finalmente se indigna pela corrupção! Vamos tentar ver o copo meio cheio?

É mês de outubro. Mês das crianças no Brasil e o Facebook começa a ficar infestado de retratos de criança. Não vou colocar o meu. Minha vida adulta e madura de quarentona é infinitamente mais interessante do que a da menina loirinha magricela de trancinhas do Colégio Virgem Poderosa. (acredite, eu estudei em um colégio com esse nome!)

Não sou saudosista, não perco tempo olhando para trás e me lamentando pelo que não volta mais. Aliás, essa é uma condição imprescindível se você pretende mudar de país.

Prefiro trocar minhas folhas e esperar pelo novo, assim como o outono! Welcome Fall! 😉

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Foto tirada por mim, no caminho da minha casa

PS: A respeito das duas imagens que ilustram esse post: o primeiro uma das mais lindas pinturas de Cézanne, que transmite primorosamente as cores e sensações do outono no hemisfério norte. A segunda, uma foto que tirei de uma casa perto da minha, que sempre me chamou a atenção, e só hoje, pude perceber o porquê! A semelhança de composição com o belíssimo trabalho de Cézanne, que estava arquivado nos rincões da minha memória… Ter tanta beleza assim pela vizinhança é um bom motivo pra sorrir não é não? 🙂

A arte em tempos de guerra – Shirin Neshat

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Shirin Neshat, Rapture Series, 1999. Photograph taken by Larry Barns. © Shirin Neshat. Courtesy Gladstone Gallery, New York and Brussels

“Arte é a nossa arma. Cultura é a nossa forma de resistência. As vezes eu invejo os artistas ocidentais, por sua liberdade de expressão (…) mas também me preocupo com o Ocidente, porque a cultura corre o risco de ser apenas uma forma de entretenimento.” – Shirin Neshat.

Já falei mais de uma vez, mas não canso de repetir, Washington D.C. é um lugar privilegiado para os amantes de Arte. Na capital americana, existe uma infinidade de museus e todos são gratuitos.

Minha recente descoberta foi o Hirshhorn Museum, mais um museu do gigantesco complexo cultural Smithsonian. Esse museu foi fundado em 1974 por Joseph Hirshhorn, imigrante da Letônia, que cresceu no Brooklin – NY, com sua mãe viúva e seus 12 irmãos.

Fotografia de Mark Alan André
Vista do prédio do Hirshhorn Museum com seu jardim de esculturas povoado por obras de Ai Wewei.

Sua coleção impressionante de arte moderna e contemporânea foi doada ao Smithsonian e logo abrigada em um maravilhoso prédio projetado por Gordon Bunshaft, ganhador do Pritzker Prêmio de Arquitetura.

Tudo no prédio é maravilhoso: sua construção redonda e forrada de painéis de vidro, seu pátio interno e seu jardim adjacente de esculturas modernas e contemporâneas.

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Hirshhorn_Museum_Sculpture_Garden.JPG
Jardim de Esculturas anexo ao museu. Hirshhorn Sculpture Garden

Mas não quero descrever o museu. Isso está muito melhor explicado na página oficial que se encontra aqui: http://hirshhorn.si.edu

Quero falar de uma exposição que visitei lá e que foi uma daquelas de arrebatar! Trata-se da artista iraniana Shirin Neshat. Como mulher, como iranina, como exilada e como imigrante ela já teria muito para contar. Some-se a isso a sua delicadeza, o seu olhar, a sua captura do belo, mesmo no meio de tanta dor, tanta intolerância.

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Quem encontra a Julia, minha filha, nessa belíssima imagem?

Quando a Arte atinge esse patamar, ela me arrasta. Povoa minhas ideias, meu coração e meu sono por dias. Aliás, passam- se anos e ainda consigo lembrar de imagens que vi em exposições memoráveis.

O mundo está em guerra. A guerra do oriente médio diz respeito a todos nós, cidadãos ocidentais. São mulheres, são crianças, são seres humanos que perderam o seu direito mais precioso: à vida!IMG_1835

O Brasil, apesar de não viver a realidade do fanatismo religioso, vê crescer a cada dia a intolerância e o desrespeito ao diferente. Essa dualidade que o país assiste atualmente é perigosíssima! “Cidadão de bem” que atropela e mata o bandido  é saudado como herói na internet. Amigos queridos e próximos, que vejo todos os dias nas redes sociais, cegos pelo ódio, incitando a violência e a ideologia do olho por olho, dente por dente.

Estamos regredindo e isso me assusta. Evidente que a lambança política e o populismo barato, grandes responsáveis por toda a situação caótica que se vive no Brasil, também me enojam e me causam indignação. Contudo, essa indignação não pode ser maior do que a nossa humanidade.

As últimas semanas foram terríveis! A foto do menino Aylam na praia do Mediterrâneo escancarou um realidade cruel, que não se via desde os tempos nazistas. No Brasil, a decadência política e a falta de esperança, nos EUA, o menino Ashmed preso por ser criativo e muçulmano… Às vezes queria só parar o tempo, respirar e tomar um copo de água.

Para isso existe a Arte, que salva, que cura e mostra caminhos. Como esse de Shirin Neshat que sobreviveu ao horror e nos conta sua história.  Existem ainda tantos outros, pequenos e anônimos artistas pelo mundo, que insistem em criar, pintar e desenhar a esperança.

A Arte é o que melhor evidencia a nossa humanidade. Que essa ferramenta poderosa sirva como luz a nos guiar nesses tempos de trevas.

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Julia e Amanda em uma das salas da exibição

Fiz minha parte, levei minhas filhas à exposição. Passamos alguns jantares discutindo intolerância religiosa e racial, o papel da mulher no mundo, viver em culturas diferentes. Todos esses tópicos surgiram a partir de Shirin Neshat e a ela sou grata. Através da arte estamos tentando construir cidadãos melhores, capazes de um dia fazer desse planeta um lugar menos inóspito…

PS: A fotografia que ilustra o cabeçalho desse post eu tirei outro dia, andando por D.C., quando me deparei com esse magnífico painel de Chagal, feito em 1969  e extremamente atual. Observem e tirem suas próprias conclusões:

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Marc Chagal – Russian – 1887 – 1985 Orphee – 1969 Stone and glass mosaic

A maternidade em terras estrangeiras

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Três idades da Mulher – Gustav Klimt

Ser mãe é vencer eternamente uma montanha de desafios e ser mãe em terra e língua estrangeira requer ainda mais coragem e habilidade para lidar com eles. Não é fácil…

Me lembro do meu primeiro mês aqui, afogada na neve e nas novidades, quando eu tive que matricular minhas filhas no sistema de ensino público em que tudo funciona de uma forma completamente diferente do Brasil.

Como estrangeiro, seus filhos são submetidos a provas de Inglês e conhecimentos gerais, como ciências e álgebra, e a partir do resultado eles são encaminhados ao nível correspondente de aulas de ESOL (inglês como língua estrangeira) e de reforços nos respectivos conteúdos onde apresentam dificuldades.

Minha filha mais velha, na época com 13 anos, foi muito bem na avaliação, tanto de inglês como geral e a recomendação foi que ela entrasse direto na High School. Nós entramos em pânico! Afinal o ano letivo já tinha começado há  meses ( as aulas aqui começam em setembro e estávamos em janeiro) e a idade em que as crianças  entram no High School é 14 anos.

Não aceitei a imposição e briguei, com meus inglês capenga, para que ela refizesse a metade do oitavo ano, antes de ir para o nono, que é quando começa a High.

Foi então que ouvi a seguinte frase do avaliador: “Você e seu marido decidiram vir para esse país. A escolha portanto não foi dela, e sim de vocês! Acha justo que ela atrase seis meses na escola, por uma decisão da qual ela não fez parte?”

Acabei conseguindo o que eu queria e ela foi para o oitavo ano onde pôde rever alguns conteúdos e se sentir mais confiante para agora, finalmente e na idade certa, começar a High School.

Esse episódio todo não é importante, mas sim a frase que ouvi e que  não sai da minha cabeça:  será que meu marido e eu, fizemos o certo ao impormos uma mudança tão radical na vida das nossas filhas?

Sei que hoje, um dia após a vergonhosa comemoração em Brasília, com nossa incompetente presidente desfilando protegida por muros e canhões, muitos dos que me leem aqui devem pensar: claro! Não há dúvidas: o Brasil está na sua pior fase, sem qualquer esperança….

Sim, eu sei. Aqui temos segurança, educação de qualidade, menos desigualdade social, respeito, civilidade, etc. etc.

Mas vejam, não temos o conforto de nossa terra, o conforto de nossa língua. E principalmente para mães como eu: nos sentimos completamente sozinhas nessa árdua tarefa de educar e orientar nossos filhos em terras desconhecidas.

Finalmente hoje, minha filha foi para a High School! Uma escola enorme, com cerca de 3.000 alunos adolescentes. Uma infinidade de matérias novas e de salas num labirinto de corredores.  Para nós brasileiros, a estrutura física de uma High School lembra muito mais a de uma Universidade do que os colégios que conhecemos. E olha que vivenciamos de perto os maiores de São Paulo, como Colégio Rio Branco e Visconde de Porto Seguro!

Ainda sim, foi apavorante! Levei ela até lá e senti a sua mãozinha gelada de medo, assim como seus olhos vermelhos. Quando ela desceu do carro, sozinha e carregando todo o material para o primeiro dia, no meio de uma infinidade de adolescentes e rostos desconhecidos, foi difícil eu não chorar!

Ser mãe é sentir no âmago, mil vezes mais, tudo o que um filho sente! Mesmo para mim, que já sou mãe experiente – minha filha mais velha está se mudando essa semana para um novo apartamento na Philadélphia, que ela vai dividir com o namorado – haja coração!

Isso sem falar da minha caçula, de dez anos, que eu  também deixei hoje em uma nova escola, sem conhecer absolutamente ninguém! Foi mais um momento de lágrimas contidas e mãos encharcadas de suor…

Acreditem:  a língua, a terra, a experiência compartilhada com pessoas que tem a mesma história que você, fazem uma falta danada nesses momentos. Queria poder tomar um café com uma mãe como eu e abrir meu coração, sobre meus medos e inseguranças. Queria poder levar minhas filhas para brincar e se distraírem com os primos no final de semana, ou então para a casa da vovó, onde elas seriam cercadas de carinhos.

Mas fizemos uma escolha. Por nós, por elas…. Deixar a terra em que estão as nossas raízes nunca é uma decisão fácil e a pergunta que o avaliador da escola deixou pra mim, sempre volta à tona.

Semana passada, quando a terrível imagem do menino Aylan tomou conta do mundo, foi impossível para mim não sangrar por dentro!  Seu corpinho inerte na praia, todo arrumado de sapatos e roupas boas, evidenciava os cuidados de uma mãe, que assim como eu, escolheu um vida diferente para o seu filho. Salvas as diferenças, sou também imigrante e responsável por essa brusca mudança na vida de minhas filhas.

A busca é eterna: sempre tentando encontrar nesse mundão afora o melhor para os nossos filhos, acima de qualquer coisa. Hoje só espero que minhas meninas tenham tido uma boa acolhida nas novas escolas e que isso aumente a certeza de que fizemos a escolha certa.

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