Que mundo confuso!

Faz frio. Muito. Algo meio estranho para as temperaturas normalmente suportáveis de Seattle. O frio também vêm da enxurrada de notícias ruins que não param de chegar nesse 2019 soturno.

É preciso um esforço contínuo para não cair nos abismos da tristeza e desânimo. Confesso que para mim, esses meses invernais são sempre infernais.

Assim, cada migalha de boa notícia tem que ser celebrada. Esses dias fiquei atualizada e feliz sobre os conteúdos estudados pela minha filha de 13 anos na escola.

Contextualizando: ela está no sétimo ano em uma escola particular e católica de um bairro tradicional de Seattle.

Pois bem, ela está trabalhando em um projeto sobre priviégios. A professora está fazendo com que os alunos percebam que não há mérito ou sorte no sucesso, mas sim privilégios, que independem de nossas ações. Julia me disse ontem: não é escolha onde nascemos ou que raça temos e não deveríamos ser julgados por isso!

Por que para tanta gente, esse básico é tão difícil de entender? Pior, por que hoje em dia, todas as questões que defendem humanidade e empatia são consideradas políticas e perversas? Credo!

Publiquei um texto difícil sobre racismo no site Brasileiras pelo Mundo, que você pode ler aqui.

Recebi alguns comentários inacreditáveis. Teve gente que me chamou de “esquerdalha”, coisa que nem sei o que significa. Teve gente com teorias nazistas, querendo me convencer que a raça branca é superior (!!!) enfim… o que está acontecendo conosco, brasileiros?

Defender seres humanos, exigir igualdade de direitos entre homens e mulheres, ser contra racismo e xenofobia, ser contra morte sumária de pessoas pobres, negras e homossexuais virou coisa de esquerda?

Que polarização ridícula, infantil e perigosa… Sinceramente eu me recuso a entrar nessa confusão. Tenho minhas opiniões e preferências políticas, que nunca escondi de ninguém. Respeito opiniões contrárias, e procuro ler e escutar outros argumentos. Aliás, sou leitora compulsiva, sempre fui. Tento me informar o máximo que posso antes de emitir “achismos”, mas mesmo assim, vivo escorregando.

Admito que não sou um exemplo absoluto de tolerância e paciência. Tem argumentos, que simplesmente fazem ferver o meu sangue. Mas me controlo, conto até dez e muitas vezes deixo pra lá.

Com a família, por exemplo, as conversas hoje são sobre o tempo, as piadinhas toscas, amenidades etc. Não há mais troca de ideias e nem vontade de interagir, confesso. Muito triste, mas talvez consequência desse momento em que vivemos.

Sei que o meio é fator determinante na nossa formação. Vivo nos EUA, moro em Seattle, uma cidade extremamente progressista, onde inclusão e tolerância religiosa e sexual, são consideradas premissas básicas de humanidade e civilidade. E não bandeiras políticas partidárias…. Seattle é o berço de gigantes empresas do capitalismo: Amazon, Starbucks, Boeing, Microsoft… só para citar algumas. Faz sentido chamar esses valores de “comunistas”?

HUMANIDADE< RESPEITO< EMPATIA são valores fundamentais de preservação da nossa espécie e relações. Não podemos deixar que sejam sequestrados por plataformas políticas.

Ande pelo seu bairro, vá à praia, à praça, ao supermercado… perceba quantas cores, formas e cheiros diferentes você consegue notar pelo caminho. O mundo e as coisas NÃO são bilaterais. Não há só branco ou preto, bom ou mal, esquerda ou direita.

Ou acabamos agora com esse maniqueísmo ou esse maniqueísmo acabará conosco. Reflitam!

 

 

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