Papo de mulherzinha: a beleza nos EUA

Bom, as coisas andam quentes com Trump aqui e Lula aí, por isso resolvi dar um tempo de papo cabeça e mergulhar no universo mulherzinha, também como homenagem ao nosso dia internacional. Vamos falar de vaidade e como é se cuidar nos States?

Já havia viajado muitas vezes para os EUA como turista e sempre me encantava com a infinidade de opções, cheiros e cores das prateleiras de cosméticos em farmácias, super-mercados e lojas de departamento.

Eu era o tipo preguiçosa consumista, que adorava comprar produtos lindos e fofos para as gavetas usarem e  foi só recentemente  que passei a usar religiosamente filtro solar, depois de eliminar uma pinta suspeita que surgiu no meu braço e levar uma bronca danada da minha dermatologista. (Graças a Deus não era nada!)

Pois bem, me mudando para cá e chegando nos temidos 40, mudei um pouco a minha disciplina. O primeiro fato é sem dúvida o clima. Muito mais seco e frio que no Brasil, a pele logo fica parecendo uma escama de peixe ressecada. Horrível mesmo! E para piorar, a água dos chuveiros e torneiras são bem mais turvas e químicas que no  Brasil, deixando  os cabelos parecendo vassouras.

A contrapartida é que a oferta de bons produtos é infinita. Desde lojas tentação como Sephora e Ulta até corredores da Target e Walmart, sem contar as compras online! Criei um hábito de cuidados, tão religioso e chato quanto o uso do fio-dental , mas que tem funcionado muito bem. Hoje acho a minha pele melhor do que há alguns anos atrás.

Tudo começa com o filtro-solar pelas manhãs, seguido de  um hidratante da marca Olay, linha Regenerist, que pesquisei na internet e é campeão de vendas e fama. Acreditem, é uma beleza mesmo! À noite uso uma duplinha da ROC com ácido retinol e acordo com a cara da Bela Adormecida (quem dera…)

IMG_9142
Minha bancada de produtos. Em destaque o indispensável Floral de Bach Rescue  que me mantém sã e serena ;0
Principalmente nos meses frios, que já começam em outubro e vão até abril, a pele parece sentir sede, e essa hidratação é necessária. O corpo, as mãos e os lábios também não podem ser esquecidos. E quando chega a primavera e o verão é preciso tomar banho de filtro solar já que o sol aqui brilha tão forte e é tão quente, que até as 19h00 da noite sentimos a pele arder. Ou seja, cuidados o ano inteiro.

Quanto aos truques de maquiagem e afins, eu não sou nenhuma expertise, mas adoro usar minha santa máscara de cílios todos os dias e um corretivo, quando a situação pede, ou quase todo dia. No lábios vou apenas de Chapstick (uma espécie de protetor labial super popular aqui nos EUA) e só quando quero me sentir diferente, abuso de um batonzinho e de cores nos olhos.

A dificuldade é o tom da pele. Nós brasileiras, mesmo as branquinhas, carregamos um D.N.A. inconfundível e aquele branco rosado, chic e etéreo da Cate Blanchet, parece mais um amarelo esverdeado na nossa pele sem bronze. Pavoroso!

Para disfarçar me rendi a uma mania americana e comecei a usar essa semana uma loção auto-bronzeadora que promete dar um toque de “sun kissed”, ou beijada pelo sol. A marca que comprei é Saint Tropez, bem carinha aliás, mas de novo: nas avaliações da internet ganha disparado de todas as outras. Faz apenas uma semana que estou usando e por enquanto estou gostando muito, seca rápido e não tem cheiro, além de dar mesmo uma corzinha.

As avaliações disponíveis na internet são muito úteis  e extremamente precisas. Hoje, não compro quase nada que desconheço, sem dar um Google antes.

Quanto às unhas….ah, as unhas! Nunca fui fanática por escovas de cabelo no salão, maquiagens, tratamentos a laser, etc, mas sempre gostei de ter cores nas minhas unhas. Fazia as unhas toda semana no Brasil e adorava aquela horinha, de escolher um esmalte, tomar um cafezinho e bater um papo com a fofa da minha manicure.

Aqui acabou a graça. Custa caro, é bem pior que no Brasil e bate-papo amigável com manicure é coisa de brasucas. Descobri então que sou boa nos pincéis e pinto as unhas direitinho. Parei de tirar cutículas e  não me arrisco. Uso o tempo todo um bom hidratante para as mãos e elas quase nem aparecem mais. Já pedicure eu me dei bem porque é bem mais agradável de se fazer do que no Brasil. A cadeira é deliciosa e a massagem vale cada um dos (muitos) dólares pagos. Claro que ao invés de quinzenalmente, faço só de vez em quando. Falta tempo e verdinhas…

Aliás, como já escrevi antes nesse post sobre vida doméstica, vivendo nesse país somos mulheres com 1001 utilidades. Quer ver só? Acordar, preparar o café, preparar o almoço das crianças para a escola, cuidar do cachorro, limpar a cozinha, lavar a roupa, secar a roupa, dobrar e guardar, ir ao mercado, carregar o carro, descarregar o carro, guardar as compras, encontrar os pares de meia, abastecer o carro, passear com o cachorro, fazer o jantar, colocar o lixo na rua, etc. etc. e nesse meio tempo, estudar, passear, trabalhar, escrever, comprar, ler, ser mãe, ser mulher  e…. tentar se cuidar!

Merecíamos o Oscar, mais do que o Leo di Caprio. Não à toa que se vê tanta mulher desencanada por aqui. Eu mesma mudei muito. Tem dias que nem penteio o cabelo e ao melhor estilo americano, faço um coque, coloco um casaco por cima do moletom de dormir e vou tomar meu café na minha deli favorita, segura e feliz.

Acho interessante que no paraíso dos cosméticos, liga-se muito menos para a aparência do que no Brasil. Já experimentou passear no shopping Iguatemi-SP com seu moletom surrado e os cabelos sujos? Com certeza se sentirá avaliado da cabeça aos pés….

Ganhei a liberdade de poder ser quem eu quiser.  Ontem estava na academia ao lado de um cara que corria na esteira com calça de pijama flanelada e estampada com renas (!) E provavelmente eu era a única a olhar e achar estranho  (um costume feio que tenho lutado cada vez mais para me livrar). Na mesma hora, entrou a loira deslumbrante, bronzeada em pleno mês de janeiro, com o cabelo impecável, maquiagem e tudo mais…. diversidade maior impossível!

Eu procuro manter o meio termo. Não quero virar um elefante descabelado, mas também jamais serei o estilo “neura pugliesi”. Mudei meus hábitos alimentares: mais verduras, frutas e orgânicos. Menos carboidrato, açúcar e gorduras. Vou à academia pelo menos três vezes por semana (ok…2), faço yoga, caminho muito pelo meu bairro, por DC e outras cidades nos arredores. Frequento parques para jogar bola e andar de bicicleta quando o tempo permite e continuo tomando minha taça de vinho  e meu café espresso e de vez em quando coca-zero  e o principal: tento ver a vida sob novas perspectivas a cada dia, aceitando de coração aberto o que ela me trás. E claro, tudo isso  besuntada de filtro solar, afinal 40 é 40!

 

 

Anúncios